quinta-feira, 2 de julho de 2009

Histórias Imbecis do Carlos - Episódio 4 - Devaneios

Carlos estava em casa completamente de bobeira. Resolveu sair pra fumar um cigarro. Pegou a chave de casa que tava numa prateleira da sala, sua carteira de Lucky Strike e uns R$3 reais pra dar pra um possível ladrão caso viesse a ser roubado. Pegou o elevador que por sua vez parou no 8º andar e entrou um cara com dois travesseiros e um mochilão nas costas.

- Boa noite - disse o cara com um sorrisinho no rosto que demonstrava bom-humor.
- Boa.
- Tô indo pegar a estrada agora.
- Legal. Vai praonde?
- Sei lá. Vou pegar a linha verde e vou subindo.
- Se duvidar cê vai parar lá em Aracaju - disse Carlos.
- Ou até mais longe - completou o cara.

O elevador chegou no térreo e Carlos saiu. "Boa viagem", disse. Não conseguia de jeito nenhum lembrar o nome. Provavelmente era Alex. Tinha cara de Alex. "Sortudo", pensou, "o cara provavelmente vai viver algo diferente, respirar novos ares, ter alguma aventura.". Carlos ficou se perguntando se algum dia teria aquela liberdade de poder sair sem rumo por aí.

Saiu do prédio, mas não sem antes cumprimentar o porteiro. O porteiro que fazia plantão nesse dia era um cara engraçado. Sempre falava que ia pros shows de Raul. Ele citava um, no Circo Picolino, no qual Raul já tava meio em fim de carreira e o espaço, segundo ele, não tava tão lotado como deveria estar, tendo-se em vista que era um show de Raul. Ele falava de outro, também, que aconteceu na Concha Acústica, dessa vez lotado. Carlos, ao cumprimentá-lo, lembrou dessas histórias e achou que teria sido legal ver esses shows. Provavelmente aconteceram nos anos 80. Época interessante: fim da ditadura no Brasil, Scarface nos cinemas, música rápida e agressiva sendo feita na Califórnia.

Enfim, Carlos foi caminhando pela calçada. Acendeu o cigarro. Com a mão direita segurando-o e a esquerda no bolso foi caminhando lentamente. Era uma noite fresca, agradável e o vento batia de maneira bastante suave no seu rosto. Enquanto isso dava boas tragadas naquele veneno e seguia em devaneios observando a fumaça que soltava pela boca.

2 comentários:

kyeran disse...

E ele sai apenas com o dinheiro do transporte para dar ao ladrão... hehehe tempo bom aquele do vale transporte de papel.

leônidas disse...

Tinha que ser um ladrão muito do safado pra querer três reis!
Se fosse aqui em Natal, Carlos no mínimo levaria um "ta ligado"!
Esse home ta criativo demais viu, cuidado que na minha terra criatividade em excesso pode acabar em morte =)
é onda brother, ta massa as aventuras do teu blog, estão até lembrando você!