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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ronaldo diz adeus

A população fubetolística brasileira (cerca de 98,9% da população do país, segundo estimativa do IBGE) chorou anteontem, 14 de Fevereiro de 2011, com a notícia da perda de um dos mais caros e mais pesados craques da bola -e não bolas de crack mais pesadas, o que seria outra coisa- que já pisou nos gramados canarinhos. 

Ronaldo Gordo, anteriormente conhecido por Ronaldo 9 e posteriormente por Ronaldinho O Primeiro Não Aquele Gaúcho, convocou a imprensa mundial para dar nota do seu falecimento.

A notícia de sua morte veio através de uma coletiva de imprensa marcada pelo mesmo para revelar a novidade. Foi quando às 12:36, acompanhado pelo seu filho Ronald Gordo, que Ronaldo anunciou sua própria morte. 

Uma vida controversa, marcada por mulheres casamenteiras, contratos polêmicos e cortes de cabelos do mesmo estilo foram marca registrada do jogador.


Aqui Ronaldo mostra o seu 'Estilo Capilar Único', condição característica de muitos jogadores de futebol na modernidade.


De se esperar
Sua morte era algo de se esperar considerando as últimas aparições bizarras do craque em campo (e não são as últimas aparições de um crack bizarro no campo) e escândalos em sua vida pessoal que foram exibidos à exaustão por uma imprensa bandida, sempre inimiga deste crack. Algo que sem dúvidas contribuiu na sua decisão de morrer.

Mix de estilo e perseverança: Ronaldo
Conhecidos íntimos afirmavam ainda que, em vida, Ronaldo era infeliz, e cedo ou tarde algo de tal peso aconteceria.

Notícia bombástica
Jorge Almeida, pedreiro, 56, tomou um susto ao ligar sua televisão: acreditou que aquele aviso em entrevista coletiva seria apenas um alerta que Ronaldo estaria dando de que largaria os campos. Infeliz situação foi constatada pelo pedreiro ao continuar a assistir à longa e emocionante coletiva de cerca de 46 horas de exibição.

A notícia da própria morte proferida pelo craque pegou fãs como Jorge de surpresa: "Até hoje eu não consigo acreditar... Acredito que há um Ronaldo Gordo dentro de todos os nossos corações agora", diz Jorge.

Momento de emoções fortes
O que não foi possível negar durante a coletiva foi a alta emocionalidade que conduziu o craque Gordy, que inicialmente chegou com lágrimas ainda grudadas nos olhos e aos poucos foi se soltando, deixando a emoção falar mais alto. As lágrimas que segurou durante 3 horas (tempo da parte 1 da coletiva, dividida em 16 partes por questões videográficas) rolaram finalmente a partir do 4º horário de entrevista. "Não é todo dia que a gente morre (risos)", afirmou um Ronaldo comediante.

Ao avisar de sua morte, Ronaldo também dava as costas à uma imprensa que nunca lhe deu valor algum, consideração que ficou explícita durante a entrevista. Aquela morte parecia mais um momento marcado, mais um momento controlado pelo crack nessa vida de tantos momentos em que Ronaldo mostrou, com exatidão e veemência, obter total controle da situação.

Na última fase da entrevista (possível de ser vista no DVD de extras nº 5 da coletiva), Ronaldo anunciou também que não mais jogaria pela seleção que tanto amava, já que dinheiro era algo que nunca fez diferença em sua vida e faz menos diferença agora, pós-óbito, concluindo que sua morte possui um significado "bem mais físico do que meramente espiritual", como disse anteontem o próprio Ronaldo G.

Ronaldo G. deixou na Terra alguma moral incerta escondida embaixo do tapete que é o mundo do futebol canarinho e também alguns filhos, escondidos debaixo do mesmo tapete vermelho-marrom, melado de costela de porco, bife mal passado e um queijo coalho de procedência duvidosa. Sem dúvidas um craque que contribuiu para a renovação de um futebol moderno apático, trazendo alegria e atitude de campeão, fatores que deixarão saudades nas veias e corações deste país.


Descanse em paz, Ronaldo G.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A real neutralidade (jornalística)

Atualmente, a qualquer momento do dia em que resolva ligar a TV você irá se deparar com um estranho cidadão de expressão neutra sendo xingado por todos os apresentadores (especialmente do sexo feminino) em qualquer canal e algumas imagens deste mesmo homem, aparentemente dentro de um campo de futebol, proporcionando lances estilosos. O que aconteceu? Eu não sei, mas com certeza parece ser algo radical, porque sua mãe, que está do seu lado vendo o programa, é uma das mulheres que xinga o rapaz como se ele também estivesse na sala. "Mãe, ele não vai te ouvir". Mas ela não me ouve.

Mas aqui, meus amigos, eu lhes revelo a saída. Se você não tiver paciência e, na verdade, até simpatizar de maneira neutra com a neutralidade facial do cidadão, sugiro que coloque sua televisão no mudo e assista aos belos lances proporcionados por aquele jovem: saltos espalhafatosos e defesas únicas, além de um gol de falta e alguns sorrisos para uma torcida animada. Polêmica? Só para quem utiliza o som do aparelho televisivo, amigo.

Outros lances de emoção parecida também podem ser observados com a TV no mudo: entrada na delegacia, saída da delegacia, futebol, defesas, gols, mulher, defesas, mais delegacia, muita gente numa torcida, muita gente numa delegacia, policiais, mais mulher, desenvoltura, delegado, advogado 1, advogado 2, mais falta de expressão facial por parte do homem, e em seguida uma apresentadora loira com expressão raivosa acompanhada de uma marionete de papagaio que só faz se movimentar e, pela falta de uma representação labial de comunicação -ou mesmo de uma expressão facial-, eu deixo de prestar atenção nele.

Como se as desconhecidas movimentações daquele papagaio fossem palavras em japonês, eu mudo o canal e me deparo com o mesmo cidadão, ainda inexpressivo, naquele mesmo esquema de antes. Saindo de delegacia, agarrando, entrando, pulando, sorrindo, matando, cagando e andando. O que muda é a loira, que em alguns canais está mais jovem e gostosa, em outros mais velha e maquiada, permacendo, no entanto, sempre irritada com o cara das luvas.