quinta-feira, 5 de maio de 2011

Papo sobre as Missões

Conversávamos e bebíamos.

- Marta chegou ontem do Amazonas. Disse que numa tribo indígena que ela visitou era costume sacrificar recém-nascidos com deficiência, assim como os espartanos faziam. - disse Alcides.
- Quem é Marta mesmo? - perguntei.
- É minha irmã, porra, a do meio, que é missionária.
- Vou lhe fazer uma pergunta. Não fique com raiva.
- Não vou ficar.
- O que ela faria se um índio dessa mesma tribo tocasse a campainha da casa dela e tentasse convencê-la de que criar esses bebês é errado...
- Sei lá, porra. Isso não faz sentido.
- ... fosse morar alguns dias na rua dela e dissesse a ela que tudo o que ela acredita é mentira? São outros valores. Pra eles aquilo é certo, quem é ela pra julgar? - continuei.
- Meu velho, eles matam recém-nascidos. Você acha isso certo?
- Não, mas se eles acham e já vivem assim, suponho, há mais de centena de anos, é muita presunção da sua irmã querer mudar isso.
- Bom, foda-se. Acho que ela está salvando vidas.

Paramos de falar. Já estava quase amanhecendo. Restaram alguns questionamentos, idéias boas e ruins. Eu me questionava, por exemplo, se a posição que defendia não refletia algo negativo do meu caráter. Bom, era de fato algo que realmente acreditava. Acontece que ao mesmo tempo que achava errado que aqueles indivíduos sacrificassem suas crianças, também achava errado que alguém se colocasse em posição de julgá-los. Era uma conflito mental. Depois de um tempo disse-lhe:

- Só tenho certeza de uma coisa.
- O que?
- Nunca vou sair na rua defendendo o direito deles ao infanticídio.
- Velho, eu te digo uma coisa, na antiguidade tudo bem, em Esparta, povo guerreiro, tudo mais, mas hoje em dia é inconcebível isso.
- Pode ser.
- Vou nessa, tenho aula daqui a pouco.
- Falou.

Ainda bebi duas cervejas antes de ir deitar.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Iluminado - Director's Cut



Edição de colecionador, "O Iluminado - Complê do Diretor" (também chamado de "Presença do Diretor") vem com efeitos ainda mais especiais e garante 30% a mais de prazer videográfico, além de cenas únicas, tratadas à mão do diretor, as quais mesmo o cinéfilo mais fanático terá dificuldade de debater numa roda de amigos após assistir. A versão especial vem com 2 horas a mais de pura emoção. 


 Cinco estrelas bem merecidas por essa grandiosa versão.





Foto pela colaboradora Bagabia

O Iluminado




Foto pela colaboradora Bagabia

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Agora que Fudeule

Por R. L. L.

A Parábola do Maconheiro Sangue Bom

o sujeito barrunfado pega elevador junto com um tipo de agrupamento humano denominado família brasileira, formado por casal de avós, filho e neta. e eles vêm puxar papo. para ele, plantar-se era um grande desafio.

perguntas sobre a vida quando sequer sabem seu nome. Carlos Alberto? Zé Roberto? não importa. esse cidadão tinha terminado de fumar uma morra e conversar algo sério com alguém implicaria um grande esforço mental pra não parecer viajante ou sequelado. respostas dadas com o máximo de objetividade, sempre com um grau de simpatia num nível que não deixe transparecer qualquer tipo de retardamento. a lombra é braba. é insana. a massa era o barro. os pensamentos a mil, enquanto aquelas pessoas lhe perguntavam qual sua ocupação. em outras palavras: como vai a faculdade? coisas desse tipo. falando cada vez num tom mais debochado, vai desenvolvendo a conversa durante cinco andares que mais parecem trinta.

eles estavam, de certa forma, agradecidos. o indivíduo, minutos antes, ao entrar no elevador, ouviu o barulho deles chegando e fez a cortesia de esperá-los. não se importava em dar pala. então, para compensar, esse bom homem exala todo o aroma canábico naqueles metros cúbicos, enquanto os cinco ocupam perfeitamente aqueles metros quadrados, sem que precisem se tocar, como se a distância entre cada um fosse igual.

o nosso herói se despede deles com um misto de polidez e cinismo. uma espécie de gentleman descarado. um cara gente fina. um maconheiro sangue bom.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sobre o playboy e o tal Spam

 Para ver o segurança em tamanho maior (felizmente não no tamanho real) clique na sua imagem.


Então a Yahoo! quer me convencer que um playboy caucasiano de barba malfeita e óculos de 10 paus vai ser o segurança da minha festinha e vai impedir que Spam entre. É isso? 
 Nesses dias, é difícil saber em quem confiar. 

Então quer dizer que Spam é uma classe desfavorecida? É isso? Spam é pobre e não pode entrar no evento? Ele não tem a roupa adequada? Ou por acaso Spam é negro?

Acredito que somente nosso amigo Mr. Caucasian Uncut Beard Cheap Glasses pode nos responder essas perguntas. 


Ok rapazes, até o próximo site com imagens duvidosas!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tô de cara

Caminhando nas extensas e estreitas ruas virtuais da vida conectada encontrei um anúncio no Orkut que despertou em mim sensações adversas:


Clique na imagem para ver na real.



As observações-xeque da vez:

1. O rapaz da imagem está paloso de alguma substância ilícita. Nota-se em sua pupila dilatada, inexpressividade facial e olheiras (questão que confirma a noite mal dormida -ou não dormida-, o que leva a crer que o jovem em questão seja usuário daquelas pastilhas de menta Ecstasy ou da nossa não tão amiga dalila)

2. O Orkut pensa mesmo que alguém acessaria essa rede social de cara?

3. O alerta pode ser perigoso à medida que o usuário (de substâncias e de redes sociais, ao mesmo tempo) pode se identificar com a imagem e a abstinência apertar-lhe os culhões.





Jovem se morde ao ler anúncio.

Para todos os outros não-adictos, a figura ilustrada é somente a de um rapaz extasiado pela inebriante sensação de encontrar preços tão baratos para estes maravilhosos produtos do Shopping Uol.